Mulherices e sapatos
Jayane amarrou os cabelos, vestiu uma mini saia, uma blusa realçando seu busto e desceu, com seus sapatos novos, o morro. Economizou o mês inteiro para aproveitar a liquidação de calçados. No caminho cumprimentou a dona Marlene que estendia roupas no varal, os moleques fedorentos a cola a chamaram de gostosa e Jonival curvou o pescoço para olhar o desirré da moça. Jayane mostrava maestria ao descer a ladeira de paralelepípedo de salto alto, quando de repente um tiroteio começou ao seu redor entre traficantes e policiais. A correria foi total, até os bêbados do bar da esquina, ainda que cambaleantes protejeram-se. Jayane havia comprado o sapato no dia anterior. Foi amor a primeira vista, mas não tinha o seu número. O sapato ficou apertado, mas tinha caído bem eu seu pé e combinava com uma calça jeans que adorava. Não conseguiu correr e foi alvejada. Caída no chão Jayane comemorou:
-Caralho, ainda bem que não quebrou o salto!