Jony
Ele era um cachorrinho muito esperto. Quando o assunto era comida, o cãozinho não fazia-se de rogado. Num daqueles domingos de sol, quando a família, sua dona, se preparava para um almoço. Jony avançou-se no espeto de carne e fugiu de casa. Ele tentou voltar, mas foi corrido a vassouradas por dona Clemência. Foi tentar a sorte na cidade. Era tudo muito atrativo, havia vários restaurantes e, na certa, ninguém iria negar-lhe um ossinho que fosse. Certa vez Jony voltava para casa, tinha passado a noite inteira tentando cruzar com a negruxa, uma cadelinha muito faceira e bem carnuda da redondeza, mas os outros vira-latas não deixaram sequer ele se aproximar dela. Estava faminto, conseguia sentir sua barriga encostar-se à espinha. Sentiu um cheiro, ergueu as orelhas e foi ao rastro, achou um ossinho. Não era grande coisa, mas antes aquilo do que nada, antes um pássaro na mão do que dois voando, pensou. Depois de ter roído o que pode, resolveu esconder e com o osso na boca, procurou o melhor local quando estava passando pela ponte do riacho olhou para baixo e viu um enorme de um osso. Teve duvidas, mas não demorou a se decidir. Soltou o ossinho, insignificante agora, e pulou no riacho. Mas percebeu que o osso não estava mais lá. Era o reflexo do osso que estava na boca. Como fazia muito calor e ele precisava de um banho aproveitou para refrescar-se no riacho.