Eu conto

(Des)pretenções literárias.


555

Seu Justino sempre fora supersticioso. Quando avistava uma macumba na esquina ia logo desviando e para garantir que seu corpo continuasse fechado, fazia o sinal da cruz. Sempre teve sorte na vida. Nasceu no dia 5 de maio de 55. Acreditava que o número cinco era o seu número da sorte. Certa vez resolveu jogar na loteria. Jogou na cabeça o número 55555. Ganhou era milionário agora. Ficou tão aturdido que não sabia o que fazer com tamanha fortuna.

-Vamos guardar para os estudos do Carlos Eduardo, Justino! Eufórica dizia Dona Carmela.

-Que nada, pai! Dizia o filho. Vamos viver de renda!

Alheio à pressão dos familiares, Justino, certo de que não perderia toda sua fortuna e sim que ela iria se multiplicar em cinco, resolveu apostar na corrida de cavalos.

Chegou em casa e dona Carmela o indagou:

-Ganhamos? Estamos mais ricos? Conta-me homem, to agoniada!

-Saí, mulher! O filho da puta do cavalo chegou em quinto lugar!

Depois de ter pedido toda a fortuna seus familiares debandaram-se e o tempo passou.

Quando comemorava, sozinho, seu aniversário de 55 anos de idade, agora numa casa de madeira onde, na frente, corria o esgoto a céu aberto da vizinha, seu Justino sentiu o coração acelerar e “bateu as botas”.

Foi enterrado na lápide 555 como indigente.

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