Sabor especial
Isabela era uma daquelas meninas mimadinhas que sempre teve tudo, menos a presença dos pais para lhe dar umas boas palmadas quando era preciso. Já mocinha, quase nem fala com eles. Almoçava todos os dias no Mcdonalds próximo da sua escola na avenida Assis Brasil em Porto Alegre. Às vezes, a estudante recebia um telefonema de seu pai prometendo que iram almoçar juntos, mas ele nunca dava as caras. Quem sofria com a angustia da menina era Juçara, a atendente. A coitada era o cristo em seu sofrimento nas mãos de Isabela.
-Manda aquela vaca vir me atender!
-Quem, mocinha?
-Aquela pretinha ali. Anda minha filha estou com pressa.
Juçara acostumada com o tratamento que recebera já algum tempo da garota nem liga mais para as ofensas.
-Olá, tudo bom?
-Não é da sua conta. Responde Isabela, retirando os óculos escuros.
-Tu não foi demitida ainda?
-Não, senhora.
-Senhora é puta que te pariu.
-Me trás um Mc lanches feliz e uma coca light sua vagabunda.
-Mais alguma coisa?
-Sim. E vai tomar no seu cu.
Juçara preparava o lanche todas as vezes que a guria ia ao local. Fazia questão de atende-lá e ver a menina comer com satisfação. A funcionária olhava admirada.
-Tah, vai ficar aí igual a uma mula empacada? Some da minha frente.
A filha da puta nunca soubera que aquele negócio grudento, salgadinho, com um aspecto levemente amarelado entre o pão e que dava aquele sabor especial, não era queijo.