Discutindo Relação
Heloisa não agüentava mais a indiferença do marido.
-Marcelo faz um ano e meio que estamos juntos e estou percebendo que nossa relação já não é a mesma. Lembra de quando saíamos juntos? Você era gentil, simpático com a mamãe, e tudo que queríamos era estar juntos um do outro. Hoje tudo que você sabe fazer, quando está em casa, é olhar essa porra de futebol. Sem falar nas noites que espero você chegar do jogo, das bebedeiras com os amigos.Você não me escuta, não pergunta se estou bem ou não com tudo isso. Não sou porco, que só depende de comida para estar feliz. As coisas não estão fáceis eu sei, mas continuar do jeito que está não vai dar. Você só sabe me cobrar. A roupa tem que estar passada, a comida feita, a casa arrumada, ou você muda de atitude ou eu...
O monólogo de Heloísa é interrompido por um berro vindo do banheiro:
-Cala boca, Heloisa! Abre a porra dessa porta ou eu vou arrombar essa merda. Estou atrasado, caralho!
Leonardo era bom de cama. Era difícil achar uma mulher que trepasse com ele e reclamasse. Era só elogio a performance do rapaz. Apaixonou-se por Maria Eduarda.
-Adoro ela. Sinto que não é apenas sexo, existe algo mais. Comenta com amigo no telefone.
O tempo passou, as flores desabrocharam, a filha da vizinha foi morar com o namorado traficante e a mania de Leonardo não tinha fim. Levava qualquer mulher ao céu. O cara era bom de foda, mas as luzes nunca poderiam estar acesas.
-Me desconcentra, caralho! Dizia à Maria Eduarda cada vez que tentava acender a lâmpada isso foi desgastando a esposa de tal forma, que certo dia saiu do quarto apenas de camisola e foi dormir na casa da mãe. Maria cansou da frescura do marido. Como era possível, um ano e meio de casados e não conhecera o corpo do homem que esperava um filho.
-Chega, Leonardo. Acrílica, Maria Eduarda, olha na mão do marido um vibrador, gigantesco, salta da cama, coloca as mãos na cintura e gaguejando, indaga:
-Pode me explicar isso, Leonardo da Costa Batista.
Ainda com o objeto na mão, Leonardo responde:
-Quem tem que explicar algo aqui é você, não eu. De quem é o filho?

-Pode entrar seu Ariovaldo, a porta está aberta. 

Ao vê-la ali diante de seus olhos numa camisola curtíssima seu Ariovaldo ficou paralisado, estático...
mas...
Pâmela assinava João Carlos da Rosa.
Desenhos: meus mesmo
Arte final: Jefferson Basso
-Gustavo, como você pode? Dona Maria, com os olhos rasos d’água, indagava o filho.
-Sempre te dei tudo, guri. Melhores colégios, melhores roupas, viagens, cursos...Maria baixa a cabeça e continua, desarcoussoada, seu monólogo.
-Acho que meu erro foi este. Sempre dei tudo pra você. Nunca fez nada de útil para merecer. Gustavo cansado de toda a ladainha revira os olhos, mas não interrompe.
-Seu pai é culpado! Nunca teve presente. Bem que a sua tia me avisou. “Esse guri precisa de uma figura masculina”.
-mas...
Cale a boca, Gustavo! Eu estou falando. Gustavo estranhou a atitude da mãe, pois nunca gritou, xingou ou bateu nele.
-Me peça tudo o que quiser, menos isso. – Maria sentou-se no sofá e não agüentou, desatou a chorar.
-Mãe! Olha sou eu, seu filho de sempre. Vou amar a senhora sempre e reconheço todo esforço que a senhora fez por mim. Gustavo passa a mão sobre a cabeça da mãe.
-Não sou ladrão, nunca fiz mal a ninguém, fiz até aquele curso chatíssimo de eletrônica que a senhora gostava.
Poxa vida! Fiquei mais de quatro anos fora do Brasil e é assim que a senhora me recebe?
-Eu não quero saber, Gustavo. Caralho! Filho putão é demais para uma mãe.
No mesmo dia, Gustavo foi para Boston, mas todo mês deposita uma quantia em dinheiro para a mãe. Dona Maria diz para as amigas que o filho foi morto em um assalto no Rio de Janeiro. Toda à noite ela deita e chora, sozinha.
Ana e Carlos trabalhavam juntos. Ana não era loira, mas sua inteligência era duvidosa. Já Carlos não tinha assunto que não soubesse. Ana achava que o céu era azul devido ao reflexo da água afinal a terra é o “planeta água”.
-Me recuso a explicar física pra essa burra! Resmungava baixinho.
-Carlos, nomes próprios não obedecem à gramática?
-Não te entendi, Ana!
-Ah, tipo...Eu conheço uma Clarice com “C” e uma Clarrisse com “SS”.
-Olha, Ana, tu deves também saber que toda a regra tem sua exceção.
Mas de nada adiantava. A menina era tacanha que só. Sempre tinha uma pérola na ponta da língua. Foi o fim da picada quando afirmou que seu cachorro limpava a bunda na grama. O rapaz estava assoberbado de trabalho, relatórios, planilhas e a Ana enchendo o saco com tanta bobagem.
Carlos cansou. Enxotando Ana de sua Sala Carlos Diz:
-Oh sua débil mental, o teu cachorro não estava limpando o cu. Ele está com vermes, por isso se rastejava no chão. As pessoas, quando estão com vermes, também sente coceira no cu. Sabe aquela coceira no cu? Não é vontade de dar, são oxiúros. Com os cachorros é a mesma coisa, a diferença é: Eles não dão o cu. Entendeu, retarda!
Aliviado bate a porta.
Depois disso Ana se matriculou num intensivo e pensa, depois que acabar seu estágio, fazer jornalismo.
-Sabe, sempre gostei...