Eu conto

(Des)pretenções literárias.


Conto 08

Lucia e Dolores sempre dividiam as coisas boas da vida. Nas noitadas de Belo Horizonte eram figurinhas carimbadas em qualquer evento badalado. Dolores sempre se dava bem. Apesar de seus 41 anos, era enxuta. – Dou um bom caldo, amiga! Dizia para Lúcia que sempre voltava para casa bêbada, sozinha e se lamentando para a amiga. – O que há de errado comigo, Dolores? Indagava a amiga no caminho para casa. Era uma sexta-feira e Dolores convida Lucia para o aniversário de um vereador da cidade! – Vamos amigas, sinto que hoje e seu dia de sorte! Chegando logo Lúcia se empolga ao ver que um rapaz loiro, jovens, atlético de olhos azuis não tira os olhos de suas pernas que estavam à mostra. O rapaz percebe o interesse de Lúcia e se aproxima:

- Oi! Diz o rapaz e Lúcia que olha para o outro lado responde:

- Oi, tudo bom!

- Nunca te vi aqui! Conhece o vereador?

- Sim. Somos amigos de anos!

- E você faz o quê? Pergunta Lúcia ao rapaz que fica mudo por alguns minutos. Tenta prolongar a conversa, poxa vida até que fim! Pensava.

- Estou terminando meu bacharelado em direito.

- Eu sou empresaria.

Conversaram sobre várias coisas. Por parte de Lúcia a conversa fluía, mas o rapaz era trancado falava pouco, mas seu interesse por Lúcia ficava claro cada vez que seus olhos desciam para o decote de seu vestido. E Lúcia pela primeira vez depois da morte de seu marido se sentia mulher de novo, deseja e bonita.

- Vejam só! Até que enfim arrumou um homem. Adoro a Lúcia, mas ultimamente ela anda muita chata! Dolores comenta com as amigas.

-Olha! Uma das amigas de Dolores espanta-se ao ver Lúcia aos beijos com o rapaz boa pinta. Dolores ri.

Lucia e o rapaz que atende por Fabrício decidem dar uma esticadinha no Motel.

A moça já havia se esquecido o que é uma noite de sexo gritante e ardente. Nervosa, no banheiro do motel várias coisas vêm à cabeça: “devo ter teia de aranha. Acho que estou apaixonado por ele. Porra! Essa merda de motel não tem sabonete liquido. Dolores deve estar se roendo de inveja, tadinha, nem fiz depilação. Será que ele chupa? Droga, ta me dando vontade de cagar deve ser nervoso, preciso ficar calma...”

- Devagar, tah gato...

Uma hora de sexo, mordida, arranhões. Já exaustos Lúcia repousava a cabeça no peito do rapaz quando...

- Tenho que ir! Diz Fabrício

- Ah...Já! Vamos ficar mais um pouco.

- Olha tia, mais uma hora é cem real, certo?

Puta da cara Lúcia grita:

- Essa puta da Dolores me paga!

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Conto 07
- Pegue suas coisas e saia da minha casa. Esqueça que um dia teve família e que um dia fui teu pai, pervertida!
Ao saber que sua única filha mantinha um caso com a professora de biologia, seu João foi severo para com a menina.
- Adeus meu pai!
Seu João era da igreja Deus é amor onde não se toleravam esses tipos de coisas, não hesitou em bater a porta na cara da filha sem sequer deixar ela se despedir da mãe. Mas isso, diante da felicidade de saber que era amada por alguém que a aceitava como ela realmente era, ser expulsa de casa eram uma das coisas ínfimas que teria que enfrentar diante das adversidades que estavam por vir.
Soraia pegou o ônibus com caminho certo: A casa de Berenice.
- Oi Berê! Berenice apavorada não sabe como reagir.
- O que faz aqui, garota?
- Meu pai já sabe da gente. Fui expulsa de casa, amor! Por um lado até que gostei agora poderemos viver juntas e seremos felizes sem ninguém para nos atrapalhar. Então não vai me convidar pra entrar?
- Não. Berenice bate a porta. Do banheiro, Gustavo indaga:
- Quem era, Vida!
- Pedinte amor! Já despachei.

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Conto 06

Carol e Ana tinham tudo para serem grandes amigas. Eram vizinhas, estudavam na mesma faculdade e gostavam de pagode. Não era problema se uma ouvia o som muito alto já que suas casas eram muito próximas, freqüentavam as mesmas festas e eram fâs do sorriso maroto. Uma não suportava a outra. Chegaram até fazer cadeiras juntas na faculdade e a fofoca comia solta:

- Sabe aquela ali? Diz a uma colega.

- Quem? A Carol?

- Sim, sua tapada, de quem mais poderíamos estar falando mal?

- O que tem? Pergunta a amiga.

- Somos vizinhas, te contei? Não suporto essa vadia!

Ana espalhou para todos da faculdade e da vizinhança, que Carol era uma ex-viciada, que tinha um filho do qual nunca soube quem era o pai, que sua mãe era uma pobre cabeleireira e que Carol odiava seus cabelos crespos. Eis que os falatórios chegam aos ouvidos de Carol, que vai acertar as contas com Ana:

- Sua porca! Quer dizer que eu sou a Cristiane F, drogada e prostituta? Carol pergunta já fogueteando Ana com um soco na cara, que cai em cima do professor de literatura que estava tomando café no bar da faculdade.

Ana fica um bom tempo sem dar as caras na faculdade e na rua, mandou fazer uma prótese dentária e hoje não fala mais de Carol, mas à noite não consegue dormir, devido ao barulho das trepadas de Carol e seu namorado que fazem propositalmente. Segundo eles o que falta para Ana é pau.

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Conto 05


Daniela gostava que apertassem seu pescoço. Na Verdade o que atraia eram as mãos, quanto maior, melhor. Para ela um homem tinha que ter (literalmente) pegada. – Nossa, Rafa! Não é estranho? Você um cara tão forte, grande ter mãos tão pequenas? Zombava do namorado. – Aperte meu pescoço até que seus dedos se juntem! – Daniela ordena.

Rafael acende um cigarro, veste um roupão e caminha pela casa. Era estranho para ele sentir-se vazio, mas um vazio de alívio, um sossego que nunca sentira antes. Senta no sofá, liga a televisão. Desliga. Acende mais um cigarro, toma um drink, pega o jornal que está em cima da mesa da cozinha, dirige-se ao banheiro, fica feliz ao saber que falta apenas um gol para seu time se classificar para a libertadores. Sai do banheiro e caminha em direção a sacada da cobertura.

- Vai chover! Diz em voz baixa. – Tenho que me livrar do cadáver o quanto antes! Rafael sente frio e fecha as janelas.

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Conto 04

Acho que uma das características que mais a tornava uma pessoa singular era determinação. Bethi era determinada. Queria ser famosa. Agüentou mais de 48 horas de viajem até o Rio de Janeiro, pois sabia que onde morava o máximo que conseguiria era ser atendente de alguma lanchonete barata. Mas essa não era a vida que sempre sonhou. “Vou ser uma estrela” pensava enquanto sua mãe chamava sua atenção: - Bethi, sua putinha, já te falei pra lavar essa louça! Olha isso aqui tá uma zona!

Para conseguir a grana da passagem, a menina sonhadora suou. Cuidou dos filhos de uma vizinha, ganhando vinte reais diários. Foi difícil, mas Bethi conseguiu. Chegou ao Rio de Janeiro com uma mão na frente e a outra atrás. Dormiu na rua, apanhou das prostitutas da avenida Atlântida e conheceu Carmem. A senhora de idade já avançada não fazia mais programas, mas era respeitada no meio e conhecida por todas.

- Olha Carmi, tenho um sonho! Ser artista de TV!

- É mesmo? Carmem pergunta com um certo deboche. Acho que posso te ajudar então!

Os olhos de Bethi brilharam novamente. Nunca pensou que seria fácil, mas suas esperanças já estavam ofuscadas.

- Esse é Jorge, um amigo! Carmem apresenta aquele que pode mudar a vida da menina do interior.

- Oi, tudo bem!

- Ele é produtor de cinema, Sabia? Questiona Carmem. Bom, vou deixar vocês a sós! Carmem levanta e sai

Hoje Bethi já não é mais a mesma. Atende e é conhecida por Sibeli da Cohab. Conhecida em sua cidade e nas locadoras de vídeos pornográficos.

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Conto 03
Denise realmente acreditava estar apaixonada. Aos 17 anos nunca beijara um rapaz, esta no término do 2° grau, quando conheceu Nestor. Um rapaz de sorrisos largos, engraçado e para ela...bom, Denise conseguia ver algo de inteligente em Nestor, diferente das outras meninas que já conheciam a figura. Há noite ela abria a janela e fitava o céu olhava fixa qualquer estrela e se piscasse, Nestar seria dela. Escrevia poema, passava o dia inteiro em seu quarto assistindo comédia romântica. Não tinha amigas, costumava a dialogar com seus bonecos de pelúcia que ainda estavam no seu quarto. Sua vida na escola tornou-se um martírio, pois não fazia outra coisa a não ser cuidar os passos de Nestor, esse nem sabia de sua existência. Certo dia, no refeitório, o rapaz percebe o interesse da menina que ainda tímida não lhe olha nos olhos.
Nestor se aproxima lentamente a olha de cima a baixo e diz: - Tem uma casca de feijão no seu aparelho!

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Conto 02
A festa
João e Carlos não eram grandes amigos, mas a amizade prometia. A garota mais gostosa do trabalho os convidou para sua festa de aniversário. - Então garotos, hoje à noite, hein?! Felícia diz com um sorriso no canto da boca. - Já é! diz Carlos. Nove horas Carlos passa na casa do amigo. - Oh meu, tu pegou camisinha? João enruga a testa: Claro, né rapá!
Não deu outra. Beberam horrores, fumaram até o que não deviam, fizeram até sexo a três. Novidade para João, que apesar de não se lembrar de nada no dia seguinte, na hora gostou. Devido a bebedeira, João caiu de bunda no chão, e na segunda-feira, mal conseguia sentar-se na cadeira para trabalhar, sem enteder o que tinha acontecido. Quando um colega de trabalho comenta em voz alta: - Cara, Sabia que o Carlos comeu dois cu ontem? Sangue de João vem à cabeça e o nervosismo é difícil esconder, pensava: "Esse filho da puta comeu meu cu!" Na saída do trabalho não vem outra coisa a João senão vigar-se. No estacionamento sacou o revólver calibri 22 e sem pestanejar, matou o amigo.
Felícia que estava saindo ouviu os tiros e voltou quando se deparou com o corpo de Carlos estendido no chão e João que gritava em desespero: - Esse filho da puta comeu meu cu!
Felícia chorando diz: - Seu estúpido ele comeu o meu e o da minha amiga, a Gabi!

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Conto 01

Todos já a chamavam de Dona. Beatriz já estava acostumada com o título de solteirona do bairro. Apesar de seus trinta anos, suas amigas da igreja evangélica comentavam que sua irmã de 25 anos, mais parecia sua filha. – Ela tem até cabelos brancos! Diziam nos cultos da igreja. No domingo, finalzinho de tarde, tinha culto e Dona Beatriz era a primeira a chegar para orar pelas almas perdidas e mundanas, certo dia o pastor da igreja pergunto: - Dona Beatriz, por que ainda não casou? Com a resposta na ponta da língua, dona Beatriz tirou o óculos e olhou bem para Roberto: - Olha meu amigo, eu tenho um cachorro que dorme o dia inteiro, um gato que dorme fora e um papagaio que só fala palavrão pra que vou querer um marido? Oremos!

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