Osvaldo apagou as luzes. O silêncio era quebrado apenas pelo tic-tac das horas no relógio de parede com a imagem da santa ceia. Fumou um cigarro, enquanto esperava sua esposa chegar. No relógio: quatro horas da manhã. Daniela sua esposa era enfermeira ficava de plantão até tarde, mas aquele dia, Osvaldo achou demais.
-Onde você estava até essa hora, Daniela? Ela assusta-se ao ver a silhueta do marido, provocada apenas pelas luzes da rua que refletiam na janela.
-No hospital. Até parece que você não sabe! Ela fala tirando os sapatos e evitando olhar nos olhos de Osvaldo.
-Cadela! Mentira sua. Liguei para o hospital e a recepcionista disse que você já tinha ido embora havia tempo!
-Ela deve ter se enganado, Osvaldo! Deixa eu dormir?
Ele a pega pelo braço e a joga em cima do sofá. Dá-lhe três bofetões na cara e pergunta:
-Onde você estava?
-Trabalhando, João!
-Onde você estava até essa hora? O marido perguntava novamente.
Daniela levanta do sofá e se aproxima do bar onde tem muitas garrafas de bebidas.
-Você quer saber onde eu estava? Você quer saber... Daniela chega perto e num reflexo atinge a cabeça do marido com uma garrafa de uísque. Ele cai desmaiado e uma poça de sangue entre o carpete e sua cabeça se forma. Daniela arreda com o pé o corpo inerte do marido, cospe em sua cara e diz:
-Tava dando minha buceta pra outro, Osvaldo. Não era isso que você queria ouvir?
Descalça, ela sobe as escadas, tranca a porta e apaga as luzes. Teve um dia difícil no hospital.
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